HEROÍNA BRASILEIRA

HEROÍNA BRASILEIRA
 

 

 

Maria Quitéria foi condecorada "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro", por D. Pedro 1º

"Eu gostaria de entrar nua no rio, caso estivesse no sítio do meu pai. Mas agora estou aqui entre homens, somos todos soldados, e o banho no Paraguaçu é forçado. Os portugueses de uma canhoneira bombardearam Cachoeira, então um bando de Periquitos, e entre eles eu e mais cinco ou seis mulheres, entramos no rio, de culote, bota e perneira, dólmen abotoado e baioneta calada."



Recriada pelo escritor Hélio Pólvora, a cena mostra a soldado Maria Quitéria, integrante do batalhão dos Periquitos, em pleno campo de batalha, defendendo a independência do Brasil.

Filha de um sitiante da região de Cachoeira, na Bahia, Maria Quitéria de Jesus Medeiros ficou órfã de mãe aos dez anos, passando a cuidar da casa e de seus dois irmãos mais novos. Apesar de não freqüentar escola, Maria Quitéria aprendeu a montar e a usar armas.

Em 1822 o Exército brasileiro realizou campanhas para o alistamento de soldados para lutar pela consolidação da independência, frente à resistência dos portugueses na Bahia. Maria Quitéria pediu ao seu pai para se alistar, mas não obteve permissão. Fugiu, então, para casa de sua irmã Tereza e de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros e vestida com roupas de homem e com os cabelos cortados, alistou-se como soldado Medeiros.



Passou a integrar o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, também chamado de Batalhão dos Periquitos, por causa da gola e dos punhos verdes do uniforme. Duas semanas depois Quitéria foi descoberta por seu pai, mas impedida de deixar o exército pelo major Silva e Castro, que lhe reconheceu grandes qualidades militares.

Combateu na foz do Rio Paraguaçu, onde demonstrou heroísmo. Participou também dos combates na Pituba e em Itapuã, sendo sempre destacada por sua coragem. Com o fim da campanha na Bahia, foi ao Rio de Janeiro, onde recebeu das mãos do imperador D. Pedro 1º a condecoração de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro", em reconhecimento por sua bravura.

Voltando a Bahia, levou também uma carta do Imperador a seu pai, pedindo que a perdoasse por sua desobediência. Casou-se com o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Mudou-se depois com a filha para Salvador, onde morreu quase cega, em total anonimato. Maria Quitéria foi a primeira mulher, no Brasil, a sentar praça num acampamento militar.

Em 1953, cem anos depois de sua morte, o governo brasileiro ordenou que "em todos os estabelecimentos, repartições e unidades do Exército fosse inaugurado o retrato da insigne patriota".

 

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